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Psicólogo dá conselhos? O que realmente acontece na sessão de terapia

Foto do escritor: Graziela Barbosa
Graziela Barbosa
15 de out.
4 min de leitura

Por Graziela Barbosa Terra, psicóloga (CRP 07/44514), especializanda em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica


Tempo de leitura: 5 minutos


“Será que a psicóloga vai me dizer o que fazer?” É uma das dúvidas mais comuns de quem pensa em começar a terapia. Algumas pessoas esperam sair da primeira sessão com um conselho pronto. Outras têm receio justamente disso: de serem orientadas, corrigidas ou terem a vida decidida por outra pessoa.


A resposta curta é: em geral, não. Mas isso não quer dizer que a psicóloga fique calada ou que a sessão seja “só conversa”. Neste artigo, explico o que de fato acontece num atendimento psicológico e por que a terapia não funciona como uma sessão de aconselhamento.


Por que a psicóloga não costuma dar conselhos?


Aconselhar é dizer o que a outra pessoa deveria fazer a partir do ponto de vista de quem aconselha. Amigos e familiares fazem isso com carinho e boa intenção, mas o conselho carrega os valores, a história e as expectativas de quem o dá.


Na psicoterapia, o foco é outro: ajudar você a compreender o que sente, como chegou até ali e o que faz sentido para você. Três razões explicam essa postura:


  • A vida é sua. As decisões sobre relacionamentos, trabalho e família pertencem a você. A psicóloga não conhece todos os lados da sua história como você conhece, e não cabe a ela escolher o seu caminho.


  • Conselhos nem sempre sustentam. Uma orientação de fora pode até aliviar por um momento, mas tende a perder força se não fizer sentido para quem a recebe.


  • O que se descobre por si fica. Chegar a uma compreensão própria costuma ser mais sólido do que seguir uma recomendação alheia.


Isso está alinhado ao princípio da autonomia, presente no Código de Ética Profissional do Psicólogo, que orienta o respeito à liberdade e à dignidade de quem é atendido.


Então, o que a psicóloga faz durante a sessão?


Uma sessão de terapia envolve um trabalho ativo, ainda que nem sempre visível para quem está de fora. De forma geral, a psicóloga:


  • Escuta com atenção, não só ao que é dito, mas também ao que se repete, ao que se evita e às hesitações.


  • Faz perguntas que ajudam a abrir o assunto, sem dirigir a resposta.


  • Aponta ligações e padrões, quando percebe que algo se repete na fala ou na história.


  • Oferece hipóteses e interpretações, que são convites para pensar e podem ser aceitas, recusadas ou discutidas.


  • Sustenta um espaço seguro, em que você pode falar sem medo de ser julgado.


Na psicoterapia de orientação psicanalítica, que é a minha formação em andamento, há ainda um cuidado especial com a associação livre: você é convidado a dizer o que lhe vier à mente, sem precisar organizar ou censurar, e a escuta busca acompanhar o que surge nesse movimento.


Mas a psicóloga nunca orienta nada?


Não é tão rígido assim. Dependendo da abordagem e do momento, a psicóloga pode:


  • explicar como a terapia funciona e combinar os acordos de trabalho;

  • fornecer informações, como quando vale buscar avaliação psiquiátrica;

  • orientar em situações de risco ou de sofrimento intenso.


A diferença está em não decidir por você nem substituir o seu julgamento. Escolhas como terminar ou não um relacionamento, mudar de emprego ou romper com alguém são suas. A terapia ajuda a pensá-las com mais clareza.


E se eu sair da sessão querendo uma resposta?


Isso é mais comum do que parece. Quem chega com urgência por uma solução pode estranhar o ritmo da terapia no começo. Você pode dizer isso à psicóloga: “Eu queria que você me dissesse o que fazer”. Essa frase já é material de trabalho, porque mostra o quanto a dúvida pesa e o quanto você gostaria de alívio.


Com o tempo, muita gente percebe que a terapia não entrega respostas prontas, mas amplia a possibilidade de encontrar as suas.


Terapia, conversa com amigo e coaching: qual a diferença?


  • Conversa com amigo: é útil e afetuosa, mas é recíproca e baseada na opinião de quem escuta.


  • Aconselhamento ou coaching: costuma ter foco em metas e em orientações práticas.


  • Psicoterapia: é um atendimento realizado por psicóloga com formação e registro profissional, com escuta sigilosa e ética, voltado para a compreensão do seu sofrimento e da sua história.


Como saber se a terapia está sendo útil?


Na terapia, os efeitos costumam aparecer de forma gradual e variam de pessoa para pessoa. Alguns sinais que algumas pessoas percebem ao longo do processo são falar com mais liberdade, notar padrões que antes passavam despercebidos e ter mais espaço para pensar antes de decidir. Se tiver dúvidas sobre o andamento, converse com a sua psicóloga. Isso também faz parte do trabalho.


Quando procurar ajuda com urgência?


Em situações de sofrimento intenso ou pensamentos de se machucar, não espere uma consulta agendada. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e em emergências o SAMU atende pelo 192.


Dar o primeiro passo


Se você está com dúvidas sobre como seria o atendimento, pode me escrever para conversarmos.


Agende uma conversa inicial: (51) 989500888. Atendimento presencial em Gravataí/RS e online para pessoas em qualquer lugar do Brasil e do mundo.


Sobre a autora

Graziela Barbosa Terra é psicóloga (CRP 07/44514) e especializanda em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica. Atende crianças, adolescentes e adultos.


Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento psicológico individual.



 
 
 

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Atenção: Se você estiver em crise, com ideação ou planejamento suicida, ligue para o Centro de Valorização da Vida - CVV (188). Em caso de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue imediatamente para o SAMU (192), ou para o Corpo de Bombeiros (193).

 

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