Psicólogo dá conselhos? O que realmente acontece na sessão de terapia
Por Graziela Barbosa Terra, psicóloga (CRP 07/44514), especializanda em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica

Tempo de leitura: 5 minutos
“Será que a psicóloga vai me dizer o que fazer?” É uma das dúvidas mais comuns de quem pensa em começar a terapia. Algumas pessoas esperam sair da primeira sessão com um conselho pronto. Outras têm receio justamente disso: de serem orientadas, corrigidas ou terem a vida decidida por outra pessoa.
A resposta curta é: em geral, não. Mas isso não quer dizer que a psicóloga fique calada ou que a sessão seja “só conversa”. Neste artigo, explico o que de fato acontece num atendimento psicológico e por que a terapia não funciona como uma sessão de aconselhamento.
Por que a psicóloga não costuma dar conselhos?
Aconselhar é dizer o que a outra pessoa deveria fazer a partir do ponto de vista de quem aconselha. Amigos e familiares fazem isso com carinho e boa intenção, mas o conselho carrega os valores, a história e as expectativas de quem o dá.
Na psicoterapia, o foco é outro: ajudar você a compreender o que sente, como chegou até ali e o que faz sentido para você. Três razões explicam essa postura:
A vida é sua. As decisões sobre relacionamentos, trabalho e família pertencem a você. A psicóloga não conhece todos os lados da sua história como você conhece, e não cabe a ela escolher o seu caminho.
Conselhos nem sempre sustentam. Uma orientação de fora pode até aliviar por um momento, mas tende a perder força se não fizer sentido para quem a recebe.
O que se descobre por si fica. Chegar a uma compreensão própria costuma ser mais sólido do que seguir uma recomendação alheia.
Isso está alinhado ao princípio da autonomia, presente no Código de Ética Profissional do Psicólogo, que orienta o respeito à liberdade e à dignidade de quem é atendido.
Então, o que a psicóloga faz durante a sessão?
Uma sessão de terapia envolve um trabalho ativo, ainda que nem sempre visível para quem está de fora. De forma geral, a psicóloga:
Escuta com atenção, não só ao que é dito, mas também ao que se repete, ao que se evita e às hesitações.
Faz perguntas que ajudam a abrir o assunto, sem dirigir a resposta.
Aponta ligações e padrões, quando percebe que algo se repete na fala ou na história.
Oferece hipóteses e interpretações, que são convites para pensar e podem ser aceitas, recusadas ou discutidas.
Sustenta um espaço seguro, em que você pode falar sem medo de ser julgado.
Na psicoterapia de orientação psicanalítica, que é a minha formação em andamento, há ainda um cuidado especial com a associação livre: você é convidado a dizer o que lhe vier à mente, sem precisar organizar ou censurar, e a escuta busca acompanhar o que surge nesse movimento.
Mas a psicóloga nunca orienta nada?
Não é tão rígido assim. Dependendo da abordagem e do momento, a psicóloga pode:
explicar como a terapia funciona e combinar os acordos de trabalho;
fornecer informações, como quando vale buscar avaliação psiquiátrica;
orientar em situações de risco ou de sofrimento intenso.
A diferença está em não decidir por você nem substituir o seu julgamento. Escolhas como terminar ou não um relacionamento, mudar de emprego ou romper com alguém são suas. A terapia ajuda a pensá-las com mais clareza.
E se eu sair da sessão querendo uma resposta?
Isso é mais comum do que parece. Quem chega com urgência por uma solução pode estranhar o ritmo da terapia no começo. Você pode dizer isso à psicóloga: “Eu queria que você me dissesse o que fazer”. Essa frase já é material de trabalho, porque mostra o quanto a dúvida pesa e o quanto você gostaria de alívio.
Com o tempo, muita gente percebe que a terapia não entrega respostas prontas, mas amplia a possibilidade de encontrar as suas.
Terapia, conversa com amigo e coaching: qual a diferença?
Conversa com amigo: é útil e afetuosa, mas é recíproca e baseada na opinião de quem escuta.
Aconselhamento ou coaching: costuma ter foco em metas e em orientações práticas.
Psicoterapia: é um atendimento realizado por psicóloga com formação e registro profissional, com escuta sigilosa e ética, voltado para a compreensão do seu sofrimento e da sua história.
Como saber se a terapia está sendo útil?
Na terapia, os efeitos costumam aparecer de forma gradual e variam de pessoa para pessoa. Alguns sinais que algumas pessoas percebem ao longo do processo são falar com mais liberdade, notar padrões que antes passavam despercebidos e ter mais espaço para pensar antes de decidir. Se tiver dúvidas sobre o andamento, converse com a sua psicóloga. Isso também faz parte do trabalho.
Quando procurar ajuda com urgência?
Em situações de sofrimento intenso ou pensamentos de se machucar, não espere uma consulta agendada. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e em emergências o SAMU atende pelo 192.
Dar o primeiro passo
Se você está com dúvidas sobre como seria o atendimento, pode me escrever para conversarmos.
Agende uma conversa inicial: (51) 989500888. Atendimento presencial em Gravataí/RS e online para pessoas em qualquer lugar do Brasil e do mundo.
Sobre a autora
Graziela Barbosa Terra é psicóloga (CRP 07/44514) e especializanda em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica. Atende crianças, adolescentes e adultos.
Este artigo tem caráter informativo e educativo. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento psicológico individual.




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